De bordões inesquecíveis como “Não é assim uma Brastemp” e “O primeiro Valisère a gente nunca esquece” até o icônico Carlos Moreno e seus 30 anos como garoto-propaganda da Bombril, a publicidade parece que teve seu momento de ouro nos anos 90 pelos comerciais que sobreviveram ao tempo.
Por que as propagandas não são mais tão icônicas como antes? Será que estamos saudosistas ou o mercado realmente se estagnou? Com a TV deixando de ser o centro da vida cultural e o conteúdo fragmentado nas redes, muita coisa mudou na publicidade e na forma como consumimos. E nesse episódio do GKPBcast, Matheus Ferreira e Caroline Ferradosa entram a fundo para explorar um pouco mais desse assunto.
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Propagandas históricas – Resumo do episódio
O episódio discute por que as propagandas de antigamente se tornaram tão icônicas e por que as atuais parecem não ter o mesmo impacto. Os apresentadores elencam os fatores que fazem uma publicidade entrar para a história:
- Alcance massivo (especialmente na TV aberta);
- Frequência constante (martelar a mensagem na cabeça do consumidor);
- Criatividade estratégica;
- Identificação com o público;
- Despertar de emoções (humor, sentimentalismo, até raiva);
- Diálogo com o contexto histórico.
O conteúdo traz também exemplos clássicos como o jingle “Quem bate é o frio” da Pernambucanas (1962), o “Cadê meu celular? Tá na Pernambucanas” (2006), a campanha “Não é assim uma Brastemp” (1991), o “Compre batom”, os personagens da Parmalat, a tartaruga da Arcor (“a nossa cabeça é de chocolate, estúpida”), o “DDD” da Embratel, o “Pipoca com Guaraná” e o Natal da Coca-Cola com os caminhões iluminados.
A conversa também resgata cases como Carlos Moreno e a Bombril (que entrou para o Guinness como garoto-propaganda com maior tempo de permanência no ar), os anos 90 (descritos como um “surto coletivo” com Gugu, Tiazinha, Feiticeira, e um ambiente propício para apostas criativas), a Skol com o “Desce redondo”, os “pôneis malditos” da Nissan, o “Pode ser Pepsi?” e o “Tá pronto o sorvetinho” do Danoninho. Os apresentadores destacam que muitas dessas propagandas hoje seriam canceladas ou proibidas, seja por regulamentações (como a proibição de personagens em bebidas alcoólicas, que tirou a tartaruga da Brahma e o pinguim da Antarctica) ou por questões de sensibilidade (como a propaganda do primeiro sutiã da Valisère, que causa desconforto em parte do público atual). Eles também debatem o papel dos jingles, que caíram em desuso, e a importância da frequência e da continuidade para construir memória de marca, algo que o mercado perdeu com a troca constante de profissionais e a fragmentação dos canais de mídia.
Caminhando para o final do episódio, os apresentadores discutem as causas da perda de iconicidade na publicidade atual: a TV não é mais o centro da vida cultural, a atenção do público está fragmentada (redes sociais, celular, streaming), as campanhas mudam rápido demais (impossibilitando a frequência necessária), a diversificação excessiva de canais dilui o impacto, e as novas gerações de profissionais têm dificuldade de olhar para o passado como inspiração (ou o copiam, ou o ignoram). Além disso, a crise de gestão (troca constante de CEOs e diretores de marketing que querem “deixar sua marca”) impede a continuidade das estratégias, e a inteligência artificial tende a agravar esse cenário.
Apesar do tom nostálgico e crítico, há uma pontinha de esperança: os apresentadores notam que as ativações promocionais estão voltando (como a garrafinha da Coca-Cola) e que o mercado está percebendo que “jogar um monte de filminho na rede social” não funciona mais. A aposta é que o futuro traga de volta a publicidade que conta histórias, com tempo para construir memória de marca, mas ainda levará um tempo para chegar lá.
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Episódios anteriores:
- Série Licensing Con LATAM 2026;
- Kid Unfriendly: Não há mais lugar seguro para crianças na Internet;
- A importância do licenciamento para a experiência do cliente (com Marici Ferreira e Danielle Paulino).













