Em um cenário em que as marcas são cada vez mais cobradas por seu papel na sociedade, a publicidade tem a oportunidade de ir além da venda de produtos e se tornar uma ferramenta de inovação. Foi pensando nisso que convidamos Gabi Rodrigues, Chief Impact Officer e líder da Walk, hub de impacto da Droga5, para um papo sobre o futuro da indústria criativa e o poder das ideias que mudam não apenas marcas, mas a sociedade.
Durante o episódio do GKPBcast, Matheus Ferreira e Victor Alexandro conversam com a Gabi sobre a metodologia da Droga5 para colaborar com seus clientes na construção de ideias que trabalham com o propósito de levar o mercado publicitário a um cenário cada vez mais rico em criatividade e inovação.
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Resumo do episódio
O episódio traz uma conversa sobre carreira, criatividade e o papel das marcas na transformação social. Gabi conta que sua trajetória não foi linear: formou-se como técnica em eletrônica, migrou para publicidade e construiu carreira em planejamento estratégico até conhecer Felipe Simi, fundador da Soko (hoje Droga5), que a convidou para uma área híbrida entre criação e planejamento. Hoje, como Chief Impact Officer, ela lidera a interseção entre criatividade, inovação e impacto, ajudando marcas a se tornarem mais relevantes na vida das pessoas. Ela explica que o ponto de partida é entender por que a marca existe (propósito e missão atualizados com o zeitgeist), e que esse propósito precisa ser verdadeiro, uma tradução de uma história que já existe, não uma invenção bonita. Marcas como Google (“organizar a informação do mundo”) e Dove (“fazer da beleza uma fonte de confiança, não de ansiedade”) são exemplos de propósitos claros que orientam tanto a inovação de produto quanto o impacto social.
Gabi detalha o ritual coletivo de criação da Droga5, que envolve pessoas de todas as áreas e níveis hierárquicos desde o primeiro dia. Em vez de pedir a cada profissional algo dentro do seu escopo (o que limitaria o potencial), a agência convida todos a trazer três coisas que ajudem a resolver o desafio, podendo vir de experiências pessoais, repertório ou referências fora da área. Esse processo já gerou ideias a partir de comentários encontrados por profissionais de dados em redes sociais, por exemplo. Gabi critica o modelo tradicional de “retro-planning”, em que a ideia já vem pronta e a estratégia precisa apenas defendê-la, e defende que o processo correto é o inverso: construir a linha de raciocínio coletivamente até chegar à ideia. Ela destaca que os clientes valorizam essa abordagem porque é diferente e gera resultados mais únicos, com menos retrabalho.
Sobre o Cannes Lions, Gabi explica que o festival deixou de ser uma “cidade fantasma” de projetos que não foram aprovados pelos clientes e hoje valoriza resultados de negócio, com subcategorias de impacto em quase todas as categorias. Ela conta que, este ano, quase metade dos Leões premiados foram casos de impacto, e que o Grand Prix de Inovação foi para um tênis da Adidas para pessoas com síndrome de Down, evidência de que a interseção entre criatividade e impacto é o que torna as campanhas mais relevantes. Para quem quer chegar a Cannes, ela dá duas dicas: estudar os cases premiados (no YouTube ou no blog Love the Work More) para construir repertório, e buscar projetos sociais que viabilizam a participação de grupos minoritários (como Black Advertisers, Ocupe Trans e Perifa Lions), já que o festival é caro. Gabi conclui que estar em Cannes acelera a carreira e que o repertório é essencial para criar algo novo, não para copiar, mas para encontrar o próprio caminho criativo dentro dos desafios reais de cada marca.
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