Existe um fato inegável: não há mais espaços destinados unicamente para crianças/adolescentes na Internet. A antiga “cultura tween” (como revistas e programas de TV específicos para pré-adolescentes) praticamente deixou de existir, e isso impactou completamente a Geração Alpha.
As crianças passaram a consumir os mesmos conteúdos, algoritmos e tendências que os adultos, sem uma bolha de proteção ou curadoria etária. Tratar essa geração como uma “Gen Z” mais nova é um erro, e neste episódio falamos mais sobre isso.
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Kid Unfriendly – Resumo do episódio
O episódio discute a completa ausência de ambientes seguros para crianças e pré-adolescentes na internet atual, contrastando com o passado, quando existia um ecossistema dedicado a esse público, com programação na TV aberta (Bom Dia & Companhia, TV Globinho, TV Cultura), canais fechados (Disney Channel, Nickelodeon, Cartoon Network), revistas (Recreio, Capricho, Atrevida) e comunidades online (Neopets, Habbo, Club Penguin, MSN). Os apresentadores explicam que a legislação que proibiu a publicidade infantil na TV (Resolução 163/2014 do Conanda) fez com que os canais deixassem de monetizar conteúdo infantil, levando ao seu desaparecimento gradual. Em contrapartida, a internet não herdou essas regulações, criando um vazio onde as crianças crescem no “mesmo feed que os adultos”, expostas a conteúdos inadequados, marcas adultas (como Drunk Elephant, que precisa lançar guias para impedir que crianças de 10 anos usem ácidos em skincare) e influenciadores que misturam publicidade com conteúdo de forma imperceptível. Dados mostram que 74% dos pais pretendem dar celular aos filhos após os 12 anos, mas 93% acabam dando antes dos 11, e o acesso à internet entre crianças de 6 a 8 anos saltou de 41% para 82% entre 2015 e 2024, num ciclo onde a exclusão social impulsiona o acesso precoce.
A conversa critica duramente a exploração infantil nas redes sociais, citando a série “Salve Rosa” (inspirada em casos reais de mães que infantilizavam filhas para monetizar conteúdo) e a “boneca LOL“, um fenômeno onde a graça não era brincar com o brinquedo, mas abri-lo (como uma “bet para criança”), impulsionado por vídeos de crianças abrindo as embalagens no YouTube. Os apresentadores também abordam a dificuldade de fiscalização: embora existam leis e autorregulações (CONAR), elas não são aplicadas ao digital, e as plataformas (YouTube, TikTok, Instagram) têm controles frouxos, facilmente burlados por crianças nativas digitais que sabem como contornar restrições de idade. A recente exigência de alvará judicial para perfis monetizados com crianças (ECA Digital) é vista como um passo, mas insuficiente, “não monetizar conteúdo infantil” é a solução defendida, já que a plataforma financia a exploração ao pagar por esse conteúdo. O episódio também menciona o crescimento do poder de compra da Geração Alfa (que comanda US$ 100 bilhões anuais nos EUA), que muitas vezes gasta em microtransações de jogos (Roblox, lootboxes) sem entender o valor real do dinheiro, enquanto os pais, ausentes e culpados, compensam com permissividade financeira.
A conversa conclui que a internet se tornou “kid unfriendly” não por falta de conteúdo infantil, mas pela ausência de curadoria e regulação efetiva, o que antes era um “caminho” claro (da TV aberta aos canais fechados, revistas e MTV) hoje é uma “massaroca” onde tudo se mistura. Os apresentadores veem um fio de esperança no crescimento de experiências físicas (como eventos Hot Wheels e shoppings lotados em dias de semana, com pais desesperados para tirar os filhos das telas) e na necessidade urgente de regulação que separe conteúdo comercial de conteúdo infantil, com transparência escancarada (como nos comerciais de TV). No entanto, a sensação geral é de que as gerações atuais estão criando “coaches mirins” e pré-adolescentes que acreditam em duas vias para o sucesso, empreendedorismo ou sorte (evidenciado pela onda de tarô entre crianças), ignorando o trabalho como caminho, num cenário que reflete uma ansiedade geracional sobre um futuro percebido como difícil e incerto.
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Episódios anteriores:
- A importância do licenciamento para a experiência do cliente (com Marici Ferreira e Danielle Paulino);
- Sites de Dopamina: A compra virou entretenimento?;
- Fim da Propriedade: Quando o lucro supera as necessidades do consumidor.













