Dentro do panorama apresentado por Maura Regan, presidente da Licensing International, na Licensing Con LATAM 2026, o Brasil apareceu como um dos mercados de maior destaque da região: o país fechou 2025 com US$ 7,9 bilhões em vendas de varejo de produtos licenciados, crescimento de quase 6% em relação ao ano anterior, apresentando um ritmo superior à média da própria América Latina, que somou US$ 16,9 bilhões, com alta de 7,6% no bloco como um todo.
Assim como no cenário global, o segmento de Character/Entertainment lidera com folga também no Brasil, respondendo por 42,5% das vendas de produtos licenciados no país, patamar até superior à média latino-americana, de 41,3%. Corporate Brands vem em segundo lugar, com 30,7% (ante 28,2% na região), e aqui, diferente do global, Sports dá seu lugar na 3ª posição para Fashion, com 13,2%.
Quando olhamos para esse cenário na América Latina como um todo, os números são diferentes, mas os colocados não. Character/Entertainment fica em primeiro com 41,3%, Corporate Brands em segundo com 28,2% e a categoria Fashion encerra o top 3 com 12,9%.
O dado mais chamativo e curioso da apresentação está nas categorias de produto que mais cresceram no país. Autopeças (Auto Parts) dispararam 72,8% no Brasil, bem acima da já expressiva alta de 43,3% observada no recorte regional da América Latina. Serviços, uma categoria que inclui desde imobiliárias até prestadoras diversas que vêm adotando estratégias de branding via licenciamento (como quando Ipiranga e Baw se uniram para homenagear a Stock Car) cresceram 40,3%, enquanto artigos para casa (Housewares) avançaram 39,6%.
Segundo Maura, o boom de autopeças e acessórios automotivos reflete um movimento comportamental mais amplo em que, com a população de grandes centros urbanos, e aqui ela citou São Paulo como exemplo direto, na mesma linha de cidades como Los Angeles, passando cada vez mais tempo dentro do carro no trânsito, cresce também a demanda por produtos licenciados voltados a esse universo. Já o avanço em Housewares e no recorte regional de Lawn/Garden/Tools/Hardware (+25,2% na América Latina) conecta-se a outra tendência apontada na palestra: o aumento do investimento das pessoas em suas próprias casas, incluindo jardim e reforma.
Em sua apresentação mostrando a força do licenciamento, a executiva também destacou que o Brasil é visto pelo mercado internacional como referência em inovação, design e força de propriedade intelectual própria. Essa nossa força em particular, segundo ela, deve seguir atraindo atenção de licenciantes e licenciados globais para o país nos próximos anos.
