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    Chapa Preta | Break Publicitário #25 – Com Robson Rodriguez e Heitor Caetano

    Neste episódio do Break Publicitário, Matheus, Erik e Victor conversam com Robson Rodriguez e Heitor Caetano, integrantes da Chapa Preta, que concorre a diretoria do Clube de Criação

    EM GKPB.COM .BR

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    Há um dia da votação que definiria a nova chapa para sua presidência por dois anos, o Clube de Criação soltou o filme que promovia o Festival do Clube de Criação, onde celebrava invenções em alguns dos períodos mais perversos da humanidade. O filme acabou virando o estopim de uma série de mudanças, incluindo a criação de uma nova chapa feita totalmente por pessoas pretas para assumir o comando da instituição pelos próximos 2 anos. A Chapa Preta.

    No episódio de número 25 do Break Publicitário, Matheus Ferreira, Erik Rocha e Victor Alexandro conversam Robson Rodriguez e Heitor Caetano para explicar o que é o Clube de Criação, abordar a repercussão do filme nas motivações de criação da chapa, conhecer um pouco melhor as propostas e os integrantes da Chapa Preta e debater o cenário da publicidade dentro dos aspectos da representatividade e diversidade.

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    Sobre Robson Rodriguez

    Preto, pansexual, publicitário formado pelo Mackenzie e cursando uma pós em neurociência do consumidor, Robson Rodriguez já passou por empresas como IBM, Google, Facebook e hoje tem sua própria agência focada em branding e marketing humanizado, a Freak Out.

    Robson também é professor na Firjan e um dos fundadores do Influência Negra, plataforma que busca debater sobre pluralidade e representatividade negra. Dentro da Chapa Preta, ele é diretor administrativo.

    Sobre Heitor Caetano

    Heitor se afirma como uma “bicha preta” ao se apresentar, queer, publicitário há 10 anos trabalhando como redator, nasceu no interior de São Paulo. Diretor de criação associado da DPZ&T e diretor de cultura da Chapa Preta.

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    O que é o Clube de Criação?

    “O Clube de Criação é basicamente uma instituição sem fins lucrativos, né? Mas é uma instituição que basicamente tem algumas frentes de atuação. O Clube de Criação tem uma plataforma digital que basicamente movimenta grande parte dos acontecimentos do mercado, desde contratação até contas que mudam de agência… Enfim, é um veículo que informa o mercado publicitário sobre as coisas que estão acontecendo nele, mas principalmente é uma instituição que é mantida, de alguma maneira, por uma das principais premiações criativas do Brasil. Ou seja, o Festival do Clube tem uma premiação de criatividade bastante renomada no mercado brasileiro, eu acredito que a principal premiação de criatividade voltada à publicidade no Brasil”, explica Heitor.

    O Clube de Criação é administrado por profissionais do próprio mercado que se candidatam para uma eleição que acontece há cada 2 anos e, nesse momento, acontece a eleição para escolher a chapa que irá comandar administrativamente o Clube.

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    A polêmica com o Festival de Criação

    A eleição para a nova chapa representante do Clube de Criação precisou ser adiada por conta do filme de divulgação do Festival do Clube, que já foi falado aqui no GKPB. O filme acabou chamando atenção do público por conta de seu conteúdo totalmente polêmico, que exaltava momentos de crise no decorrer da história da humanidade.

    O que vocês sentiram quando viram essa campanha do Clube de Criação?

    “Sendo muito honesto, eu sigo muito uma linha, e aí eu não nem falar especificamente dessa campanha, mas é a sensação que eu sinto toda vez que eu vejo algo fora da curva no sentido negativo dentro da publicidade: é o famoso ‘desapontado, mas não surpreso’. E aí por que eu começo com essa frase? Porque vem de um contexto que toda vez que a gente vai tentar trazer uma mensagem mais generalizada, você (Matheus) usou uma expressão que faz muito sentido, né? O Clube de Criação enquanto ‘sindicato’ dos publicitários, por assim dizer. E aí quando você pensa ‘Quem são esses criativos? Quem são esses publicitários?’ Esses publicitários são homens, mulheres, homens cis, mulheres cis, mulheres trans, são pretos, brancos, pessoas com deficiência, é muito plural. E aí quando a gente faz o recorte de onde nasce esse tipo de campanha, essa pluralidade se reduz à um grupo e passa a não existir. E aí é o primeiro risco pisar em qualquer tipo de construção que representa um todo. E aí quando a gente vê esse tipo de coisa eu só falo ‘Puts, não me representa, talvez porque eu não esteja sendo representado naquele espaço'”, responde Robson.

    “(…) Pra mim esse filme foi um sintoma de uma problemática muito maior e eu particularmente nem gosto de falar desse filme porque eu acho que ele reforça tantas coisas negativas, né? E a melhor coisa que fizeram foi excluir de fato esse filme e sumir com ele, desaparecer, acho que as pessoas que estavam envolvidas de alguma forma, dentro das instâncias cabíveis, foram responsabilizadas, mas de novo: isso foi um sintoma. Um sintoma de um mercado que, de fato, está avançando muito, no que se refere à questões de inclusão, nos âmbitos de diversidade de maneira mais ampla, mas eu acho que uma coisa que esse filme nos traz é o pensamento que eu acho que todo mundo teve, que foi: ‘como ninguém falou nada?’. E, pra mim, isso está muito ligado ao fato de que todas as pessoas que participaram da construção desse filme, ou que aprovaram esse filme, faziam parte dessa hegemonia. E quando eu digo hegemonia, eu digo hegemonia de pensamentos, uma hegemonia de vivências, uma hegemonia de atravessamentos sociais e dizer isso é dizer que, talvez, não dá para dizer, já foi, já aconteceu e de novo: espero que esse filme suma (…)”, reforça Heitor.

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    Heitor prossegue dizendo que, se houvesse alguma pessoa com vivência diferente na equipe para quebrar essa hegemonia o episódio seria diferente, mas explica outros dois pontos importantes:

    1. É importante que hajam mais pessoas diferentes em uma equipe, pois se houvesse apenas uma ainda seria capaz dessa pessoa acabar sendo penalizada pelo ocorrido individualmente e;
    2. É preciso que pessoas mais diversas na equipe tenham espaço seguro para compartilhar suas opiniões dentro da empresa, para que não haja um medo de acabar sendo punido indiretamente por sua percepção.

    Matheus ressalta durante o podcast que é importante compreender que a crítica ao filme não necessariamente é direcionada para agência que produziu. “Eu só queria deixar isso claro aqui porque, dentro do GKPB, quando a gente faz um post criticando uma peça a agência acha que a crítica é para agência, como se eu achasse que a agência não devesse mais existir na face da Terra, e não é isso!”, explica.

    A assinatura do Clube de Criação

    Para participar das discussões da comunidade e da votação que elege a próxima chapa representante do Clube de Criação é necessário ser um assinante do Clube e o valor dessa assinatura pode acabar sendo considerado excludente na sociedade atual, visto que custa R$ 480 reais.

    “Sim, acredito que esse valor é excludente. E esse valor é excludente à ponto de: Na concepção da Chapa Preta, quando a gente precisava que todos os membros fossem associados ao Clube pra gente poder montar a chapa, a gente precisou fazer um financiamento coletivo, pra conseguir viabilizar a associação dessas pessoas que não tinham ali esses R$ 480 reais pra fazer a associação ao Clube. Apesar disso eu acredito que esse valor é um reflexo muito do que o nosso mercado é em relação à manutenção de privilégios, né?”, comenta Heitor. “Se a gente pensar que o mercado criativo, principalmente de São Paulo, basicamente tem uma manutenção feita à partir – ou tinha, porque eu acredito que as coisas estão realmente de alguma maneira mudando – mas tinham uma manutenção feita à partir de você ter estudado nas faculdades de grife de comunicação e não só ter estudado nelas, como também ter feito o curso de R$ 12 mil reais da escola X, o curso de criativo da escola Y, onde você fazia o seu networking e, consequentemente, você conseguia entrar dentro de uma agência. Então pra mim a entrada nesse mercado sempre foi feita a partir de privilégio financeiro. De alguma maneira você precisava ter esses acessos pra conseguir a partir daí pisar dentro de uma grande agência e conseguir construir sua carreira. Então eu acho que, esse valor do Clube, ele é sim limitante em relação ao acesso de pessoas diversas, especificamente de pessoas periféricas e pessoas negras, e acredito que ele é um reflexo do que nosso mercado tem sido conforme os anos, né?”, completa.

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    As propostas da Chapa Preta

    “Eu vi que vocês realizaram uma pesquisa que constatou que 93% dos apoiadores [da Chapa Preta] não são associados. E aí eu queria entender como isso reflete e se o financiamento coletivo tem apoiado também as pessoas que querem participar junto com você demonstrando apoio de alguma forma e também como é o apoio por parte das pessoas que já são associadas”, questiona Victor.

    “É difícil parametrizar, né? Exatamente quem efetivamente dentro dos apoiadores está associado, a gente tem uma amostragem dentro do que tá ali da audiência dos nossos canais, né? Inclusive já fazendo nosso jabázinho, @chapapreta no Instagram, principalmente onde a gente tá movimentando e estabelecendo essa comunicação. Só que aí eu queria trazer um paralelo que é o seguinte: tem algumas pessoas e agências se posicionando publicamente e isso é muito legal, e normalmente quem tá nesse meio são associados, porque são pessoas que estão ali nesse debate, estão nesses eventos, estão nesses espaços privilegiados, mas é difícil parametrizar exatamente, mas a gente entende que existe uma parcela ou pelo menos uma população relevante dentro desse meio que está ali entendendo o que tá rolando”, responde Robson.

    Robson e Heitor destacam o preço destoante da realidade da população brasileira, onde o salário médio é de aproximadamente R$ 1.800 reais e explicam que o problema pode até não ser o valor de R$ 480 reais na assinatura, mas sim nas iniciativas que são tomadas para incluir as pessoas que são automaticamente excluídas por esse processo. “Quando a gente coloca um investimento pra que você faça parte, automaticamente você exclui a maioria da população que não tem essa renda, e essa maioria ela é negra, ela é pobre, ela é periférica”, complementa Robson. “É fundamental a gente desenvolver um mecanismo de inclusão e isso impacta em iniciativas que conseguem hackear esse viés financeiro. Se a gente tá falando de uma instituição sem fins lucrativos, beleza, preciso de mecanismos pra monetizar isso e rentabilizar o projeto”.

    “Hoje não tem nenhum tipo de política, como por exemplo cotas, para participar, né?”

    “O que tem é a taxa de estudante que é um pouco mais barata, mas ainda assim ela vai ser excludente. Eu, por exemplo, na época da faculdade fui ProUnista então a Xerox do Mackenzie levava todo dinheiro que eu podia separar”, responde Robson Rodriguez.

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    Sobre as propostas da Chapa Preta

    A Chapa Preta acredita que diversidade alimenta a criatividade. Dentre as suas propostas, destacam-se:

    • Criação de um Conselho Colaborativo, com pessoas do mercado à parte da diretoria, dentro da proporcionalidade da população, englobando pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e pessoas em situação de refúgio;
    • Parceria com o Observatório da Diversidade e entidades correlatas, visando promover e publicar pesquisas com dados estatísticos sobre a diversidade na propaganda;
    • Aproximar o Clube de estudantes de instituições menos visadas ou fora do eixo SP-RJ, com iniciativas que os façam acompanhar e engajar os debates do Festival do Clube de Criação e garantam fácil associação. Buscando potencializar a iniciativa dos Embaixadores do Clube de Criação;
    • Incentivar o aumento do número de associados negros e não-brancos, entre outras.

    Membros da Chapa

    Robson Rodriguez destaca que uma chapa composta apenas por pessoas negras não descarta a possibilidade de haver diversidade do grupo, uma vez que existem pessoas representantes de outros estados como Joana Mendes, a presidente da chapa, que é de Rondônia, e outras pessoas de estados como Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Além da individualidade que cada um representa com seus próprios gostos, vivências, orientações sexuais etc.

    “Eu sempre falo que representatividade é enxergar possibilidades em algo, ou alguém, é: Eu vejo, logo, eu compreendo que eu posso estar lá, é basicamente isso”, ressalta Heitor Caetano sobre a diversidade dentro do mercado publicitário. “O que as agências têm feito nos últimos anos é contemplar apenas um dos três pilares que eu considero importantes na inclusão. Pra mim inclusão ela é feita a partir de: Colocar essas pessoas pra dentro, ou seja, a inserção; A permanência dessas pessoas, ou seja, criar ambientes confortáveis pra que as pessoas continuem nesse espaço; E terceiro, a ascensão, que é dar possibilidades dessas pessoas conseguirem dar conta de suas próprias vidas, nas suas carreiras, inclusive financeiramente. O que isso tudo tem a ver com o fato de nós não termos lideranças negras e não termos lideranças LGBTQIAP+? Porque essa estrutura visa a manutenção desses homens brancos héteros cis dentro das posições de poder. Então, pra mim, olhar pras questões de diversidade, é olhar para esses três pontos: acesso, permanência e ascensão”.

    “Hoje a gente sabe que [o que funciona] é mais ação do que discurso, né? Inclusive estava lá no release de vocês. Como está sendo essa experiência de vocês e como estão os sentimentos desse movimento Chapa Preta dentro do mercado hoje? A ação está causando o barulho que vocês estavam imaginando quando vocês idealizaram isso?”, pergunta Erik.

    Acredito que sim, cara. Na verdade a gente sempre fala sobre isso vira-e-mexe no nosso grupo, né? Sobre o que tá sendo esse movimento, e eu acho que entra em algumas esferas, né? A primeira delas é que, e falando muito pessoalmente, eu acho que o Heitor vai concordar comigo, porque vem muito de encontro com o que a gente tava trazendo agora: é muito legal desenvolver coisas só entre pessoas pretas, não por uma questão da percepção do ‘racismo reverso’, ou nada disso, mas eu não preciso virar pro Heitor e explicar algumas coisa, sabe? Eu olho nos olhos dele e me identifico, assim como olho nos olhos de qualquer LGBTQIA+ e me identifico, e aí você começa a estar entre seus iguais na questão do debate”, comenta Robson.

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    “Muita gente me adicionou no LinkedIn, acho que pra querer saber mais e enfim, até todo mundo da chapa meio que divulgou a chapa, marcando todas as pessoas da chapa, e acho que isso foi trazendo gente. Mas a maior parte das pessoas que me adicionaram eram pessoas negras, o que isso significa? A construção de novas referências, se a gente ganhar ou não, eu não sei como vai ser, nós conseguimos de alguma forma, contribuir para que outras pessoas negras no mercado passassem a construir novas referências. E quando digo referências, não é referência de cargo, nem todas as pessoas que estão compondo a nossa chapa estão em posição de liderança, o que eu considero muito bom, porque a gente tá trazendo pro debate pessoas que estão passando por coisas ainda para ascender, o que vai tornar o nosso trabalho muito mais efetivo ao olhar para as estruturas das agências. Mas eu acredito que a gente já conseguiu construir um ideal de possibilidade, a gente já conseguiu mostrar, ganhando ou não, que ter uma Chapa Preta, concorrendo aos cargos diretivos do Clube de Criação é uma coisa possível e isso, ganhando ou perdendo, ninguém vai conseguir tirar da gente”, responde Heitor.

    O que as pessoas podem fazer para ajudar a Chapa Preta?

    Caso você não tenha os R$ 480 para ajudar na votação, você pode seguir a Chapa Preta nas rede sociais e compartilhar para que mais pessoas vejam e que a mensagem chegue mais longe.

    E se você conhece algum associado, você também pode ir conversar com ele sobre as propostas da Chapa Preta. Além disso, se engaje pela causa, chame as pessoas da sua agêncai para conversar sobre o assunto.

    Confira abaixo a listagem da diretoria da Chapa Preta:

    Joana Mendes – Presidente
    Gabriela Moura – Vice-presidente
    Robson Rodriguez – Diretoria Administrativa
    Israel Bastos – Diretoria Administrativa
    Heitor Caetano – Diretoria de Cultura
    Epaminondas Paulino – Diretoria de Cultura
    Jessyca Silva – Diretoria de Divulgação
    Erick Willmer – Diretoria de Divulgação
    Alan de Sá – Diretoria Editorial
    Renan Damascena – Diretoria Editorial
    Thamara Pinheiro – Diretoria de Redes Sociais
    Pedro Balle – Diretoria de Redes Sociais
    Mariana Mendes – Diretora Secretária
    Marcelo Augusto – Diretor Secretário

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    Participe da eleição

    A eleição acontecerá apenas hoje (no dia 25 de outubro) e a votação será online. Um link para realização do voto será enviado por e-mail, para os sócios, vale repetir em dia com a anuidade. Se sua anuidade não está em dia, procure imediatamente o Clube. Não perca a oportunidade de votar e participar.

    Caso você tenha interesse em conferir toda conversa do podcast com Robson Rodriguez e Heitor Caetano sobre a Chapa Preta na íntegra você pode ouvir ou assistir o Break Publicitário em todas as plataformas digitais.

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