Se as marcas existissem em um multiverso, as mais fortes seriam aquelas que conseguem evoluir sem perder sua essência, como um personagem que ganha novos poderes, mas mantém seu “código-fonte”. Construir um legado de marca vai muito além de criatividade: é um jogo estratégico que envolve proteção jurídica, gestão contínua e visão de longo prazo.
Tudo começa com o registro no INPI, que funciona como um verdadeiro “escudo lendário”, garantindo exclusividade e protegendo a identidade da marca. Mas, para manter esse poder ativo, é preciso fazer upgrades constantes: renovar o registro, usar a marca de forma consistente e monitorar o mercado para evitar cópias ou usos indevidos.
“Sem essa gestão ativa, há riscos reais, como a perda de direitos, a diluição da marca ou até sua apropriação por terceiros”, explica Davi Balsas, advogado do Granito Boneli Advogados.
Nesse contexto, surge o conceito de “multiverso” das marcas, quando elas expandem para novos mercados e categorias sem perder sua identidade principal. É como desbloquear novas fases: uma marca de moda pode evoluir para perfumes, acessórios ou até serviços digitais. Mas, para não dar “game over”, é essencial garantir que a marca esteja protegida nas novas classes antes do lançamento e evitar conflitos com outras já existentes.
“O registro é o escudo jurídico da marca: garante propriedade e uso exclusivo, permite reagir rapidamente contra cópias e mantém a conexão com o consumidor. Além disso, possibilita renovações contínuas e até o reconhecimento de alto renome, ampliando a proteção”, destaca Balsas.
Sem essa proteção, o risco é alto: a marca pode perder o registro, ser “invadida” por concorrentes ou sofrer danos de reputação, como um player que perde seus itens raros e precisa recomeçar do zero.
Outro ponto-chave é o equilíbrio entre tradição e inovação. Uma marca pode, e deve, se reinventar, mas sem trocar completamente sua identidade. Mudanças muito bruscas podem gerar confusão no consumidor e até perda de valor. “O rebranding precisa ser gradual, com comunicação clara e suporte jurídico, para proteger a nova versão sem apagar a história da marca”, reforça o especialista.
As collabs e parcerias também fazem parte desse universo, mas exigem atenção redobrada, principalmente quando envolvem personagens e franquias famosas, como Disney, Marvel e DC Comics. Sem contratos bem definidos e controle de qualidade, o risco é enfrentar problemas de direitos autorais, diluição da marca e até disputas judiciais. “Sem regras claras, a colaboração pode enfraquecer a marca. Por isso, contratos bem estruturados e gestão ativa da propriedade intelectual são essenciais”, alerta Balsas.
No fim das contas, construir uma marca duradoura é jogar no “modo estratégia”: registrar, monitorar, planejar expansões e contar com suporte jurídico constante. Nesse jogo, o jurídico não é apenas suporte, é o guardião do sistema, garantindo que cada movimento fortaleça, e não enfraqueça, a marca.
Se fosse um herói do multiverso, o principal poder de uma marca seria a “imortalidade jurídica”: a proteção contínua e vigilante do registro. É isso que permite atravessar diferentes cenários, resistir a ataques como cópias e diluição e continuar relevante ao longo do tempo. Porque, no fim, até o herói mais forte precisa de proteção para não desaparecer do jogo.

