Durante a Licensing Con LATAM 2026, a Circana subiu ao palco com a palestra “A Força das Licenças no Entretenimento”, conduzida por Célia Bastos, Executive Director Entertainment LATAM da empresa. Com mais de 50 anos monitorando o setor de brinquedos em 13 países e a expansão anunciada para Chile e Peru a partir de 2026, a Circana entregou um raio-x completo de como anda a saúde financeira da indústria.
Segundo os dados apresentados, o mercado global de brinquedos (medido pelo grupo G12, que reúne Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, México e Reino Unido) faturou US$ 32 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de US$ 4 bilhões frente ao mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 14%.
O dado mais relevante é a origem desse crescimento, que mostra que tanto o faturamento quanto o volume de unidades vendidas subiram 14%, enquanto o preço médio praticamente não se moveu (variação de apenas 0,2%). Ou seja, o setor não está crescendo porque os produtos ficaram mais caros, está vendendo mais brinquedos. Mesmo excluindo o efeito da Panini com os álbuns e figurinhas da Copa do Mundo, o crescimento global ainda teria ficado em 12%, um patamar que a Circana classificou como o melhor desempenho do setor em muitos anos.
Na comparação com 2023, o faturamento acumulado já soma alta de 24%, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 7% nos últimos três anos.
Brasil é um dos destaques na venda de brinquedos
Olhando o desempenho por país no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, o topo do ranking foi ocupado pelo México, com alta de 22% no faturamento, seguido por Canadá (19%), Estados Unidos e Brasil empatados em 17%. Na outra ponta, mercados europeus maduros como Alemanha (0,7%) e Itália (4%) tiveram avanços mais tímidos.
O desempenho brasileiro chama atenção por estar entre os quatro mercados que mais cresceram dentro do G12, à frente de praças historicamente mais fortes, como Reino Unido, Austrália, Espanha e França.
O licenciamento nunca teve tanto peso no bolso do consumidor
Um dos pontos centrais da apresentação foi mostrar como a fatia do licenciamento dentro do faturamento total de brinquedos vem crescendo de forma consistente. No G12, a participação das licenças no faturamento passou de 32% no ano fiscal de 2024 para 35% em 2025 e chegou a 38% no ano fiscal encerrado em junho de 2026.
No Brasil, o movimento é ainda mais expressivo, com a fatia de brinquedos licenciados saltando de 26% (RY’24) para 30% (RY’25) e atingindo 34% no último ano fiscal, reduzindo a distância para o patamar global. Segundo a Circana, se o Brasil alcançasse a mesma penetração de licenciamento do G12, o mercado nacional teria um potencial adicional de R$ 250 milhões em faturamento. Hoje, o G12 movimenta US$ 30,1 bilhões em brinquedos licenciados (38% do total), enquanto o Brasil soma R$ 2,1 bilhões (34% do total).
Além do desempenho macro, a Circana também mapeou os fenômenos específicos que impulsionaram o crescimento de US$ 2,9 bilhões do setor neste ano, quase todos ligados à cultura pop, ao entretenimento e às redes sociais. Cartas de TCG e blocos de montar, sozinhos, já respondem por 82% desse ganho. Soma-se a isso a explosão de categorias como wearables (pulseiras, chaveiros e acessórios colecionáveis), a “sensação sensorial” dos squishies e slimes, os pacotes-surpresa (blind packs) e a modelagem criativa, todas elas categorias que, como será detalhado em outro texto, têm um público cada vez mais adulto e adolescente.
Segundo a apresentação, o licenciamento deixou de ser um complemento no portfólio de brinquedos para se tornar, de fato, o principal motor de crescimento da categoria, tanto no mundo quanto, cada vez mais, no Brasil.
