Poucas licenças no mercado de brinquedos têm um comportamento tão sazonal e tão previsível quanto a Copa do Mundo. Na Licensing Con LATAM 2026, a Circana dedicou parte da apresentação para comparar, lado a lado, o impacto do torneio de 2022, no Catar, com o de 2026, disputado entre Estados Unidos, México e Canadá. Os números mostram um salto e tanto no apetite do consumidor brasileiro por produtos licenciados de futebol.
Em 2022, as vendas de itens licenciados da FIFA no Brasil (álbuns, figurinhas e brinquedos) começaram a ganhar tração cerca de quatro meses antes da Copa e atingiram o pico três meses antes do torneio, em setembro. Naquele mês, os produtos licenciados chegaram a representar 12% de todo o faturamento do mercado brasileiro de brinquedos, somando R$ 72 milhões apenas naquele mês. No acumulado do ano, a licença gerou R$ 120 milhões, o equivalente a 12% do faturamento total de brinquedos no país naquele período.
Depois do pico de setembro, a curva caiu rapidamente: 3% de participação em outubro (R$ 33,8 milhões), 3% em novembro (R$ 12,2 milhões) e praticamente zero em dezembro, já com o torneio encerrado.
Já em 2026, o padrão de consumo mudou de forma significativa. As vendas de produtos licenciados da FIFA começaram a crescer apenas dois meses antes do início da competição, mais tarde do que em 2022, e atingiram o pico um mês antes do torneio, ainda assim gerando um resultado consideravelmente maior. Entre março e junho de 2026, a licença FIFA chegou a representar 14% de todo o faturamento do mercado brasileiro de brinquedos, somando R$ 253 milhões, mais que o dobro do total mobilizado em todo o ano de 2022.
Olhando mês a mês, março começou tímido, com 1% de participação (R$ 2,6 milhões); abril subiu para 3% (R$ 10,6 milhões); maio já havia saltado para 24% de participação (R$ 102,2 milhões); e junho, com o Mundial em curso, atingiu 25% de participação e R$ 137,3 milhões em vendas.
Como a Circana explica esse salto?
A Copa de 2026 se beneficiou de um fator estrutural onde, pela primeira vez, o torneio contou com 48 seleções, o que ampliou naturalmente o volume de colecionáveis, álbuns de figurinhas e produtos licenciados em circulação, mas, para além disso, a FIFA fez questão de se conectar com a maior parte de parceiros possível para ampliar a força e alcance de sua marca no período em que o evento já estava no hype.
O comparativo entre 2022 e 2026 deixa uma lição valiosa para gestores de categoria e times de trade marketing. Eventos esportivos de grande escala continuam sendo um dos gatilhos mais poderosos e previsíveis do calendário de licenciamento, mas o timing da ativação evoluiu. Em vez de apostar em uma janela longa de quatro a cinco meses antes do evento, o mercado parece estar se ajustando para concentrar o investimento promocional em um período mais curto e mais próximo da largada do torneio, extraindo o máximo de receita no momento de maior ansiedade e engajamento do consumidor.
