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Streamer também paga imposto? O lado jurídico da vida no modo gamer

Advogado explica como funciona a tributação de criadores de conteúdo, o que é tributável e por que é importante sair do modo amador

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✨ O que você precisa saber:

  • Influenciadores e criadores de conteúdo que recebem rendimentos vindos de doações, assinaturas pagas, parcerias e "publis" precisam declarar seus ganhos, mesmo que muitos acreditem não ser necessário.
  • No Brasil, tanto pessoa física quanto pessoa jurídica que recebem rendimentos do universo digital estão sujeitos à tributação, variando os impostos de acordo com cada situação.
  • Ignorar as regras fiscais pode acarretar multas, juros e fiscalizações mais rigorosas por parte da Receita Federal, sendo importante regularizar a situação o quanto antes para evitar problemas no futuro.

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No mundo dos streams, reels, lives e vídeos virais, muita gente acredita que a vida digital funciona sem regras. Mas, no universo jurídico, todo rendimento pode virar imposto. Um dos erros mais comuns entre influenciadores e criadores de conteúdo é achar que, por ganhar dinheiro com doações, assinaturas pagas, parcerias ou “publis”, não precisa declarar nada. Outro problema frequente é misturar a conta pessoal com a profissional, o que bagunça o inventário financeiro e aumenta o risco de cair no radar do Fisco.

Na prática, streamers e influenciadores são tratados como qualquer outro profissional. Se entrou dinheiro, existe a possibilidade de tributação. Como pessoa física, a obrigação começa quando os rendimentos ultrapassam o limite de isenção do Imposto de Renda, hoje em torno de R$ 5 mil mensais. Já como pessoa jurídica, a tributação começa desde o primeiro faturamento, conforme o regime escolhido.

Segundo o advogado tributarista Eduardo Galvão, sócio do Granito Boneli Advogados, os impostos variam de acordo com o “modo de jogo” escolhido. “Como pessoa física, incide principalmente o Imposto de Renda e, em alguns casos, o INSS. Já como pessoa jurídica, podem entrar na conta IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e ISS, dependendo do regime tributário e da cidade”, explica.

E atenção: ganhos em plataformas internacionais também entram no jogo. “Se você mora no Brasil, precisa declarar tudo, inclusive valores recebidos em dólar. Esses rendimentos devem ser convertidos para reais e informados corretamente, podendo haver recolhimento mensal via carnê-leão”, alerta.

Na maioria dos casos, doações, Pix, assinaturas pagas e presentes virtuais são tratados como renda tributável. “Não importa o nome que a plataforma dá: se o valor é recorrente e está ligado à sua atividade como criador, ele pode ser tributado. Cada situação precisa ser analisada individualmente”, explica o especialista.

Outro ponto importante é escolher a classe certa: pessoa física, CNPJ ou até MEI. “Quem está começando pode jogar como pessoa física. Mas, quando a renda sobe de nível e se torna constante, abrir um CNPJ costuma ser mais vantajoso, tanto financeiramente quanto profissionalmente”, orienta Galvão. Já o MEI pode funcionar para alguns, mas nem toda atividade digital se encaixa nessa modalidade; escolher errado, portanto, pode virar bug lá na frente.

Ignorar essas regras pode gerar penalidades nada leves: multas, juros, cobranças retroativas e fiscalizações mais rígidas. “A Receita Federal cruza dados de bancos, plataformas e movimentações financeiras. Não dá para ficar invisível para sempre. Dá para se regularizar; e, o quanto antes, melhor”, conclui.

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