O mercado de fast-food no Brasil está ficando cada vez mais acirrado. Em um momento tínhamos poucos concorrentes e agora gigantes como Krispy Kreme, Firehouse Subs e a mais recente, Papa Johns, já se instalaram por aqui, abrindo espaço para marcas que ainda não estavam, como é o caso da Shake Shack, que acaba de anunciar sua chegada.
Em uma parceria com a BOLD, holding que é dona e responsável por redes como Outback, Abbraccio e Aussie aqui no Brasil, a Shake Shack chega com a promessa de abrir pelo menos 40 unidades ao redor do país até 2036. A primeira loja da rede deve chegar em São Paulo ainda no primeiro semestre de 2027.
A Shake Shack nasceu em Nova York, a partir de um carrinho de cachorro-quente montado no Madison Square Park pelo restaurateur Danny Meyer, que usou a ação para arrecadar fundos para a revitalização da praça. As filas fizeram o carrinho virar quiosque e, depois, rede. Hoje são mais de 700 lojas em 20 países, mas a presença na América Latina se limita ao México e ao Panamá, o que faz do Brasil o maior mercado da região a receber a marca.
As negociações começaram em 2018, quando a BOLD ainda fazia parte da Bloomin Brands, e foram interrompidas pela pandemia. A retomada veio em 2025, depois da entrada da Vinci Partners como investidora. O plano da gestora é transformar a BOLD em uma house of brands, com marcas que tenham forte ligação afetiva com o consumidor. Segundo o CEO da BOLD, Pierre Berenstein em entrevista exclusiva ao Brazil Journal, uma pesquisa feita com 4 mil brasileiros no ano passado indicou que a Shake Shack já tem reconhecimento espontâneo comparável ao de redes presentes no país há décadas, mesmo sem nunca ter operado por aqui.
O posicionamento será premium, em disputa com redes como Madero e Cabana Burger. Mauro Guardabassi, que comandará a Shake Shack Brasil, aponta a cultura de hospitalidade e a qualidade dos ingredientes como os principais diferenciais. O setor justifica a aposta, já que o mercado de hamburguerias movimenta quase R$ 40 bilhões no Brasil e cresce entre 5% e 7% ao ano, com forte participação do delivery.
A chegada acontece com a BOLD em ritmo de expansão. A empresa abriu 13 restaurantes este ano, sendo 12 Outbacks e um Abbraccio, e projeta faturamento de R$ 3,5 bilhões. De janeiro a setembro, a receita cresceu 6%, com alta de 2,1% nas vendas das mesmas lojas e de 1,8% no tráfego de clientes. Para o mercado de comunicação, o desafio será outro, já que a marca precisará transformar a fama construída por rumores e viagens de brasileiros aos Estados Unidos em preferência real no balcão.
