O universo das Winx ganhou uma nova integrante em uma colaboração com Zara Larsson para “Midnight Sun”, faixa da cantora sueca que ganhou um videoclipe especial ambientado no mundo das fadas de Alfea. Disponibilizado no canal oficial de Winx Club no YouTube, o vídeo transforma a artista em uma personagem da animação, com uma versão em CGI ganhando asas, poderes luminosos e figurino inspirado no universo das personagens. Ao longo do clipe, ela divide cena com as personagens, misturando coreografia, elementos mágicos e a identidade pop com a estética da franquia.
A ação também serve como divulgação para a nova produção animada do Clube das Winx, que retomou a história das personagens com abordagem visual renovada e está disponível na Netflix. Nas redes sociais, a aproximação entre os dois universos ainda reforçou uma leitura que já vinha se formando espontaneamente entre os fãs, de que a estética vibrante e brilhante da era “Midnight Sun” de Zara Larsson já vinha sendo associada ao visual das personagens da animação antes mesmo da parceria oficial ser anunciada.
O caso é um bom exemplo de como o licenciamento vem se consolidando como ferramenta estratégica de divulgação musical, e não apenas como produto licenciado tradicional (camiseta, boneco, etc). Ao emprestar a estética e o storytelling de uma franquia já consolidada, o artista ganha um universo visual pronto e engajado, sem precisar construir esse imaginário do zero e a franquia, por sua vez, ganha uma ponte direta com um público novo através da base de fãs do artista.
Esse tipo de crossover entre música e animação não é necessariamente algo novo, e um dos exemplos mais memoráveis é o de Gorillaz, banda virtual criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett. Em 2018, ao anunciar o álbum The Now Now, a banda revelou que o baixista Murdoc Niccals estaria “preso” dentro da narrativa fictícia do grupo e que seu substituto temporário seria ninguém menos que Ace, líder da Gangue Gangrena, um dos vilões clássicos de As Meninas Superpoderosas.
O personagem chegou a aparecer oficialmente tocando baixo no clipe de “Tranz”, e, segundo Albarn, ele e Hewlett eram fãs declarados do desenho de Craig McCracken e enxergavam uma “conexão espiritual” entre Ace e Murdoc. A autorização precisou passar pela Cartoon Network, já que os direitos do personagem não pertenciam mais ao próprio criador, e o estúdio impôs restrições ao uso de Ace, proibindo referências a álcool, drogas ou até falas do personagem, o que acabou deixando o novo “baixista” mudo durante toda a campanha.
Casos como o de Zara Larsson e Winx Club, e o do Gorillaz com As Meninas Superpoderosas, mostram como o licenciamento de personagens pode ser usado de forma cada vez mais criativa, não apenas como merchandising, mas como ferramenta capaz de aproximar universos de entretenimento completamente diferentes, gerando engajamento orgânico que dificilmente uma campanha publicitária tradicional conseguiria replicar.
