No dia 29 de abril, a conta oficial do Flamengo em inglês (@Flamengo_en) publicou uma arte de gameday para a rodada 3 da fase de grupos da Libertadores, disputada na Argentina. A peça traz espirais mesclando duas imagens de jogadores e, de primeiro momento, ganhou muitos elogios do público, até que alguns usuários começaram a apontar um suposto plágio.
Ian Woods, designer americano com mais de 55 mil seguidores no X e reconhecido pelo seu trabalho com colagens e remixes visuais feitos à mão, respondeu à publicação com um simples “lol”, anexando imagens do seu próprio trabalho. As peças de Woods também utilizam espirais sobrepostas a rostos e corpos, no caso para uma arte da cantora Pinkpantheress. O post viralizou e em poucas horas já acumulava mais de 1,1 milhão de visualizações, 31 mil curtidas e mil retweets.
Nos comentários, a divisão foi inevitável. Parte do público saiu em defesa de Woods: “They got you for a Canva preset now :(“, disse um usuário, insinuando que o trabalho do designer teria sido reduzido a um template. Outros, porém, defenderam o Flamengo: “Sua arte se identifica na hora, meu mano. Mt brabo”, reconhecendo o estilo marcante de Woods mas sem necessariamente concluir que houve cópia. Houve ainda quem comparasse as qualidades estéticas das peças sem entrar no mérito autoral: “O do Mengão ficou muito melhor do que essa ***** aí que tu fez”.
Mas afinal, é plágio ou só referência?
No design e nas artes visuais, a linha entre referência e plágio costuma ser debatida caso a caso e raramente tem resposta consensual. Referenciar, para muitos especialistas, significa absorver uma influência e reprocessá-la com nova intenção, novo contexto e nova camada criativa. Plágio, por outro lado, seria a apropriação direta de um trabalho alheio sem transformação significativa e sem crédito. Aplicar essas definições ao caso do Flamengo, no entanto, depende de interpretações que o próprio campo do design ainda não uniformizou.
Há quem aponte que o uso de espirais sobrepostas a figuras humanas é parte central da identidade visual de Woods, tornando qualquer uso similar imediatamente associado ao seu trabalho, especialmente quando feito por uma marca corporativa sem crédito ou contato com o artista. Por outro lado, há argumentos relevantes na direção contrária: elementos espirais e ondulares são recursos amplamente utilizados no design gráfico há décadas, e o próprio Flamengo já os incorporava em sua identidade visual desde pelo menos meados de 2022, com o uniforme III da adidas antes de qualquer polêmica envolvendo Woods.
Alguns designers também apontam que Ian Woods tem o hábito de se manifestar publicamente sempre que elementos visuais parecidos ganham relevância nas redes, o que para parte do público levanta questionamentos sobre a consistência das alegações. Outros, no entanto, veem esse comportamento como legítima defesa de um artista independente diante de grandes marcas.
Vale notar ainda que as criações não são tecnicamente idênticas: as artes de Woods partem de colagens físicas e remixes analógicos, enquanto a peça do Flamengo é uma composição inteiramente digital. Para alguns, essa diferença de processo é suficiente para afastar a acusação de plágio; para outros, o resultado visual final é próximo o suficiente para justificar o debate.
Até o fechamento desta publicação, o Flamengo não se pronunciou sobre o assunto.

