Uma pesquisa da Pangram Labs, empresa especializada em detecção de textos gerados por inteligência artificial, colocou o dedo numa ferida que muita gente já desconfiava e prontamente classificou o LinkedIn como a rede social com mais “AI Slop”, o apelido dado ao conteúdo genérico produzido em massa por IA.
O levantamento, feito por meio de uma extensão de navegador que analisa em tempo real o que os usuários realmente param para ler, passou pouco mais de um milhão de postagens pelo crivo entre abril e junho deste ano. O resultado apontou que 62% de toda a IA detectada no estudo apareceu no LinkedIn, mesmo a plataforma representando apenas um terço do total de posts analisados. Na prática, 41% dos textos longos publicados por lá são totalmente gerados por máquina, e nem mesmo os comentários escapam, sendo 23,7% deles também com origem “gptêica”.

A ferramenta também analisou X, Medium, Substack e Reddit, e a distância para o segundo colocado é grande. O X, rede que outrora já foi o amado Twitter e até o momento parece ser um grande laboratório do Elon Musk, aparece com 24,1% de conteúdo totalmente feito por IA. Já o Reddit, cercado pelo anonimato dos fóruns, ficou com os menores números da pesquisa, um dado que os próprios pesquisadores destacam como contraintuitivo, já que era de se esperar mais autenticidade em ambientes profissionais e mais “spam” em espaços sem identificação.
Quando procurado, o LinkedIn atribuiu o fenômeno ao “problema da página em branco”, nomeando a dificuldade que muita gente tem de começar um texto do zero, e afirmou que segue trabalhando para reduzir o conteúdo de baixa qualidade na plataforma.
Apesar de amenizar um pouco o uso de Inteligência Artificial para criações desnecessárias na plataforma, o LinkedIn começou a liberar globalmente, já disponível também no Brasil, um botão para denunciar publicações que parecem IA. A opção “Seems like AI slop” passa a integrar o menu de denúncias, ao lado de spam e assédio, com a tradução de “Parece lixo de IA” (termo que deve ser substituído em breve pela plataforma) e as sinalizações são enviadas para análise interna, sem se tornar públicas.
Hari Srinivasan, diretor de produtos do LinkedIn, explicou que a ideia é usar essas denúncias para refinar os modelos que identificam conteúdo de baixa qualidade, já que a definição de “slop” muda constantemente. Ele fez questão de separar os conceitos, ainda defendendo que usar IA para lapidar uma ideia não é a mesma coisa que publicar conteúdo automatizado e genérico e, segundo ele, os usuários querem saber quando um post soa inautêntico.
Uma situação um tanto quanto inusitada é que, de acordo com a análise do Pangram, o próprio comunicado do LinkedIn sobre a nova política foi identificado como parcialmente escrito por IA. E essa “percepção do texto gerado por IA” levanta debates ao redor da internet desde que esse fenômeno se iniciou, com muitas pessoas apontando que essas ferramentas de detecção são falhas e muitas vezes apontam como IA conteúdos que foram gerados quando sequer existiam agentes desse porte.
Em episódios do GKPBcast como “Fantoche de IA” e “Unshitification” comentamos um pouco a respeito desse movimento e refletimos sobre como estamos nos desenvolvendo em sociedade agora perante a essas ferramentas de Inteligência Artificial. Vale dar uma conferida.
Apesar do novo movimento, o LinkedIn não apresentou detalhes sobre o que será feito com os avisos acusando AI Slop. Não há informações que apontem determinado peso no sistema de recomendação do algoritmo ou se os avisos serão apenas utilizados como forma de treinamento como Srinivasan pontuou.
