A decisão da Pepsi e da Diageo de retirarem o patrocínio ao Wireless Festival 2026, após o anúncio de Kanye West, atualmente conhecido como Ye, como headliner do evento, reacendeu o debate sobre o papel das marcas diante de controvérsias envolvendo artistas e personalidades.
O festival, que acontece entre 10 e 12 de julho em Londres e reúne cerca de 150 mil espectadores anualmente, viu seus principais apoiadores financeiros se distanciarem após repercutirem declarações antissemitas e celebrações ao nazismo feitas pelo rapper. Kanye West chegou a lançar a música “Heil Hitler”, posteriormente removida das plataformas de streaming.
A Pepsi, que figurava como patrocinadora master do evento, e a Diageo, dona das marcas Johnnie Walker e Captain Morgan, optaram pelo rompimento ainda que seus nomes constem no site oficial do festival. A decisão ocorreu mesmo diante da possibilidade de prejuízos contratuais e perda de exposição de marca.
A insatisfação com a contratação de Kanye West não partiu apenas dos anunciantes. O primeiro-ministro do Reino Unido, Sir Keir Starmer, declarou ao jornal The Sun que considera “profundamente preocupante” que o artista tenha sido contratado para o Wireless Festival diante de seu histórico de comentários antissemitas. Organizações civis chegaram a pedir ao governo local que a entrada do cantor no país fosse proibida.
Pepsi e Diageo entenderam o momento certo de se posicionar
No mais recente episódio do GKPBcast, discutimos exatamente sobre como as marcas precisam estar atentas às conversas do mercado para se posicionar. Apontamos que o “Newsjacking” vai além de tentar viralizar às custas de um trending topic. Trata-se de ler o contexto social e entender se aquele momento exige fala, ação ou silêncio da marca.
No caso do Wireless Festival, assim que a contratação de Kanye West se tornou pública e gerou repercussão negativa (incluindo a reação do primeiro-ministro do Reino Unido), a Pepsi e a Diageo tiveram uma janela curta de oportunidade para agir.
A decisão de romper o patrocínio representa a aplicação prática do Newsjacking onde as marcas usaram a “onda” da polêmica para sinalizar seus valores, evitando que o silêncio as tornasse cúmplices aos olhos do público.
O episódio do GKPBcast destaca que, para as marcas, “entender o momento” significa saber diferenciar entre uma crise passageira e uma mudança estrutural de valores. As declarações antissemitas de Kanye West e a música “Heil Hitler” ultrapassaram o limite do tolerável, caracterizando um risco reputacional grave.
Ao saírem do patrocínio, Pepsi e Diageo mostram que estão atentas ao noticiário e ao sentimento do consumidor. No jargão do Newsjacking, elas “sequestraram” a narrativa negativa para transformá-la em uma declaração de posicionamento ético, mesmo que isso significasse prejuízo imediato.
Para entender mais sobre como as marcas podem (e devem) usar o momento certo para se posicionar, ouça o episódio sobre Newsjacking do GKPBcast, disponível nas principais plataformas de streaming de podcast.
Até o fechamento desta publicação, a organização do Wireless Festival não se manifestou oficialmente sobre a saída dos patrocinadores nem sobre a manutenção de Kanye West no line-up.

