Com o crescente domínio dos algoritmos das redes sociais, a internet se viu infestada de conteúdos de baixíssima qualidade. O evento recebeu um nome: enshitfication, termo cunhado pelo ativista de tecnologia Cory Doctorow.
Neste episódio, Matheus Ferreira, Victor Alexandro e Caroline Ferradosa debatem sobre como as marcas podem aproveitar a onda de unshitification (“desmerdificação” em uma tradução livre) dos conteúdos para atingirem aqueles consumidores carentes de discussões mais profundas.
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Unshitification – Resumo do episódio
O episódio aborda o conceito de “enshittification” (popularizado por Cory Doctorow) e seu contraponto, a “desmerdificação” (ou unshitification), para discutir a degradação da qualidade nas plataformas digitais. Os apresentadores explicam que as redes sociais seguem um ciclo: primeiro são ótimas para usuários, depois priorizam anunciantes e, por fim, exploram todos (usuários, criadores e anunciantes) ao máximo até o produto se tornar ruim. Esse processo é impulsionado por algoritmos que priorizam engajamento a qualquer custo, recompensando conteúdos vazios, performáticos e muitas vezes nocivos, em vez de interações genuínas. A discussão compara esse fenômeno ao vício em cigarro, destacando como as plataformas são desenhadas para explorar vulnerabilidades humanas em busca de lucro, com exemplos como notificações do TikTok que tratam criadores como “funcionários Uber” e a degradação de espaços antes sociais como o Facebook.
O debate se aprofunda no impacto psicológico e social desse modelo, especialmente entre jovens. Os apresentadores citam um processo nos EUA contra Meta e Alphabet, acusadas de estimular uso compulsivo em jovens, agravando problemas de saúde mental como depressão e ansiedade. Eles destacam a contradição de as empresas contratarem especialistas para identificar vulnerabilidades humanas e depois explorá-las comercialmente, como vender dados de pessoas com baixa autoestima para marcas de beleza. A discussão também aborda como criadores de conteúdo são pressionados a produzir incessantemente cópias de trends vazias para não serem “esquecidos” pelo algoritmo, criando um ecossistema de conteúdo pasteurizado e sem originalidade.
Por fim, o episódio propõe caminhos para a “desmerdificação”, que exige ação em múltiplas frentes: governamental (regulamentação e punições exemplares, como no caso contra as big techs), familiar (conscientização sobre o uso por crianças) e pessoal (curadoria ativa do próprio consumo digital). Os apresentadores defendem uma “saúde digital” tão cuidada quanto a física, com limites de tempo, limpeza de feeds e priorização de qualidade sobre quantidade. Para marcas, o alerta é evitar a busca desenfreada por viralização e conteúdos vazios, que não constroem relacionamento duradouro. A conclusão é que, apesar de vivermos em um “espiral de merda”, a crescente consciência coletiva sobre o problema pode levar a um movimento de valorização do conteúdo qualitativo e de experiências online mais saudáveis.
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