O agronegócio já representa uma das maiores forças econômicas do Brasil, mas o que pouca gente discute é como ele também está moldando comportamento, estilo de vida, consumo e comunicação.
Neste episódio do GKPBcast, Matheus Ferreira e Caroline Ferradosa convidam Jess Castro, da Eixo, para compreender melhor este universo e como as marcas podem se aproximar desse público a partir do estudo “Novo Agro”.
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O Agro é Pop – Resumo do episódio
O episódio recebe Jess Castro, líder de inovação e estratégia na Eixo, para discutir um estudo aprofundado sobre o “novo agro” brasileiro, realizado em parceria com a Zygon. A conversa parte da premissa de que o agronegócio deixou de ser apenas um setor econômico para se tornar uma força cultural e de consumo no Brasil, representando 1/3 do PIB. Jess explica que essa transformação não é recente, mas resultado de décadas de investimentos governamentais em tecnologia, educação e infraestrutura desde os anos 1950, que criaram não só uma potência econômica, mas também uma classe média rural e novas identidades culturais. A popularização dessa cultura, impulsionada por campanhas como “agro é tech, agro é pop” da Globo a partir de 2016, ajudou a furar a bolha e atualizar a imagem do setor, deixando para trás estereótipos do “caipira” e apresentando um universo de tecnologia, luxo e lifestyle.
O estudo identifica quatro pilares fundamentais dessa identidade: fé, família, tradição e trabalho, que se mantêm como base, mas são constantemente ressignificados pelas novas gerações. A pesquisa mapeou mais de 100 mil menções nas redes sociais e revelou a emergência de identidades plurais como a “agro peoa” (mulheres no campo), a “agropaty” (foco em lifestyle e conquistas materiais), o “agroboy” e o “cowboy cria” (com influências nordestinas). Essas personas se expressam através de códigos estéticos próprios, como a caminhonete, a fivela, a bota e o chapéu, agora ressignificados como símbolos de orgulho e conquista, muitas vezes misturados com referências da cultura pop internacional em um movimento de antropofagia cultural.
Um dos pontos centrais da discussão é o alerta para as marcas: o público do agro não está necessariamente interessado no que o Brasil urbano (especialmente o eixo Rio-São Paulo) pensa sobre ele, e as empresas que ignorarem essa cultura perderão espaço para marcas locais que já entendem esses códigos. O estudo mostra que este é um público de alto poder aquisitivo, que atrai marcas de luxo internacionais para cidades como Goiânia, e que exige comunicação específica, não apenas adaptações de campanhas metropolitanas. O grande recado é que as marcas precisam “sair do escritório da Faria Lima” e mergulhar nesse território com respeito e autenticidade, entendendo que a carência não é do agro, mas das marcas que deixam de se conectar com esse enorme e poderoso mercado.
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Episódios anteriores:
- Como o brasileiro usa o Instagram;
- A estratégia da LATAM para o consumidor brasileiro (com Mariana Karrer);
- Brazilian Dream: Somos os queridinhos do momento ou só ultranacionalistas?.
