No multiverso tributário, cada empresa precisa escolher em qual realidade vai jogar: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. É como selecionar o universo mais estratégico antes da missão, combinando limite de poder (faturamento), tipo de clã (atividade), força de ataque (margem de lucro) e nível de energia para sobreviver (estrutura de custos).
Para quem está começando e tem faturamento menor, o Simples Nacional funciona como um portal eficiente: um único boleto reúne tudo. Mas, conforme a empresa cresce, as alíquotas sobem, quase como um chef oculto que aparece na fase final. Já o Lucro Presumido é um universo mais estável, com ciclos trimestrais previsíveis, ideal para negócios com margens altas e custos baixos.
O Lucro Real, por sua vez, é a dimensão mais complexa: segue o desempenho real da operação e pode aliviar o caixa em momentos difíceis, mas exige uma contabilidade afiada, praticamente um treinamento de Jedi fiscal.
Cada regime também altera a gravidade fiscal do universo onde a empresa opera: no Simples, o peso aumenta conforme o faturamento; no Presumido, a carga permanece estática, mesmo se a margem despencar; no Real, tudo flutua conforme o desempenho. Escolher a realidade errada pode consumir o caixa, reduzir competitividade e travar o crescimento, como ficar preso em um loop temporal desfavorável.
Para sobreviver em qualquer dimensão, é preciso ter contabilidade organizada e documentação em ordem. O Simples exige controle rigoroso de faturamento e folha; o Presumido pede escrituração contábil e apuração correta dos tributos; o Real demanda SPED impecável, registros detalhados de custos, créditos e estoques, uma governança digna de um guardião do tempo.
O advogado reforça que a escolha do regime depende de fatores básicos, como faturamento (Simples até R$ 4,8 milhões; Presumido até R$ 78 milhões; Real acima disso), tipo de atividade, margem de lucro e estrutura de custos.
“Empresas pequenas ou em início de operação tendem ao Simples; negócios com margens altas se saem bem no Presumido; empresas com custos elevados, créditos relevantes ou margens variáveis costumam encontrar vantagem no Lucro Real”, conclui.
Mas atenção: o multiverso fiscal está mudando. Com a Reforma Tributária e o novo IVA dual (CBS + IBS), muitas empresas terão de rever margens, créditos e fluxo de caixa. “A legislação recente também elevou o rigor da contabilidade para distribuição de lucros isentos. Nesse novo cenário, dados, governança e tecnologia deixam de ser acessórios e viram itens obrigatórios da jornada”, finaliza Galvão.
